Março
Luta entre passado e o futuroO que, principalmente, excita essa grande cólera é a prodigiosa rapidez com que a ideia nova se propaga, malgrado tudo quanto fizeram para detê-la. Nossos adversários, forçados pela evidência a reconhecer que esse progresso invade as mais esclarecidas camadas da Sociedade, e até os homens de Ciência, estão reduzidos a deplorar esse arrastamento fatal que conduz a Sociedade inteira aos manicômios.
A troça esgotou seu arsenal de chacotas e sarcasmos, e essa arma, que dizem ser tão terrível, não conseguiu atrair os trocistas para o seu lado, prova de que no caso não há matéria para risos. Não é menos evidente que não arrebatou um só partidário da doutrina, mas, ao contrário, eles aumentaram a olhos vistos. A razão é muito simples: reconheceu-se prontamente tudo quanto há de mais profundamente religioso nessa doutrina, que toca as cordas mais sensíveis do coração; que eleva a alma ao infinito; que faz reconhecer Deus àqueles que o haviam desconhecido. Ela arrancou tantos homens do desespero, acalmou tantas dores, cicatrizou tantas feridas morais, que as piadas tolas e vulgares a ela atiradas inspiraram mais desgosto do que simpatia. Em vão os trocistas se desdobraram em esforços para provocar o riso à sua custa. Há coisas das quais a gente instintivamente sente que não pode rir sem profanação.
Contudo, se algumas pessoas, não conhecendo a doutrina senão pelas facécias de mau gosto, tivessem podido acreditar que se tratava de um sonho vão, de lucubrações de um cérebro doentio, o que se passa é bem feito para desenganá-las. Ouvindo tantas declamações furibundas, devem dizer para si mesmas que é mais sério do que pensavam.
A população pode dividir-se em três classes: os crentes, os incrédulos e os indiferentes. Se o número de crentes centuplicou em alguns anos, foi à custa de duas outras categorias. Mas os Espíritos que dirigem o movimento acharam que as coisas ainda não iam bastante depressa. Há ainda, disseram eles, muita gente que não ouviu falar de Espiritismo, sobretudo no campo. Já é tempo de a doutrina ali penetrar. Além disso, é preciso despertar os indiferentes entorpecidos.
A troça fez o seu papel de propaganda involuntária, mas tirou todas as flechas de sua aljava, e os dardos que lança agora estão rombudos. Agora é um foguinho pálido. É preciso algo de mais vigoroso, que faça mais barulho que o tinido dos folhetins; que repercuta até nas solidões. É preciso que a última aldeia ouça falar de Espiritismo. Quando a artilharia ribombar, cada um se perguntará: O que é isto? E desejará ver.
Quando fizemos a pequena brochura “O Espiritismo em sua expressão mais simples”, perguntamos aos nossos guias espirituais que efeito ela produziria. Responderam-nos: Produzirá um efeito que não esperas, isto é, teus adversários ficarão furiosos de ver uma publicação destinada por seu baixíssimo preço a espalhar-se na massa e penetrar em toda parte. Já te foi anunciado um grande desdobramento de hostilidades, e tua brochura será o sinal. Não te preocupes, pois conheces o fim. Eles se zangam em face da dificuldade de refutar teus argumentos.
─ Já que assim é, dizemos nós, essa brochura, que deveria ser vendida a 25 cêntimos, sê-lo-á por 2 sous[1]. O acontecimento justificou essas previsões e nós nos felicitamos.
Aliás, tudo o que se passa foi previsto e devia ser para o bem da causa. Quando virdes uma grande manifestação hostil, longe de vos apavorardes, alegrai-vos, pois foi dito: o ronco do trovão será o sinal da aproximação dos tempos preditos. Orai, então, meus irmãos; orai sobretudo pelos vossos inimigos, pois serão tomados de verdadeira vertigem.
Mas nem tudo está ainda realizado. As labaredas da fogueira de Barcelona não subiram o bastante. Se se repetir em qualquer parte, guardai-vos de extingui-la, pois quanto mais elevar-se, mais será vista de longe, como um farol, e ficará na lembrança das idades. Deixai a coisa correr e em parte alguma oponde violência.
Lembrai-vos de que o Cristo disse a Pedro que embainhasse a sua espada. Não imiteis as seitas que se entredevoraram em nome de um Deus de paz que cada um evocava em auxílio de seus furores. A verdade não se prova pelas perseguições, mas pelo raciocínio. Em todos os tempos as perseguições foram as armas das causas más e dos que tomam o triunfo da força bruta pelo da razão. A perseguição não é um bom meio de persuasão. Ela pode momentaneamente abater o mais fraco, jamais convencê-lo, porque, mesmo na angústia onde tiver sido mergulhado, ele exclamará como Galileu na prisão: e pur si muove! Recorrer à perseguição é provar que se conta pouco com a força da lógica. Jamais useis represálias. À violência oponde a doçura e uma inalterável tranquilidade. Fazei aos vossos inimigos o bem pelo mal. Por aí dareis um desmentido às calúnias e os forçareis a reconhecer que vossas crenças são melhores do que eles dizem.
A calúnia! direis. Pode ver-se de sangue frio nossa doutrina indignamente deformada por mentiras? Acusada de dizer o que não diz, de ensinar o contrário do que ensina, produzir o mal, quando só produz o bem? A autoridade dos que usam tal linguagem não pode falsear a opinião e retardar o progresso do Espiritismo?
Incontestavelmente, tal é o seu objetivo. Atingi-lo-ão? É outra questão, e não hesitamos em dizer que chegam a um resultado inteiramente contrário: o de desacreditarem a si mesmos e à sua própria causa.
Sem contradita, a calúnia é uma arma perigosa e pérfida, mas tem dois gumes e fere sempre a quem dela se serve. Recorrer à mentira para se defender é a prova mais forte de que não têm boas razões para dar, pois se as tivessem não deixariam de fazê-las valer.
Dizei que uma coisa é má, se tal for a vossa opinião; gritai-o de cima dos telhados, se puderdes. Ao público cabe julgar se estais certos ou errados. Mas deformá-la para apoiar o vosso sentimento, desnaturá-la, é indigno de todo homem que se respeita.
Na crítica das obras dramáticas e literárias, frequentemente veem-se apreciações opostas. Um crítico elogia sem reservas o que outro ataca. É direito seu. Mas o que pensar daquele que, para sustentar o seu ataque, fizesse o autor dizer o que não diz e lhe atribuísse maus versos para provar que sua poesia é detestável?
É assim que procedem os detratores do Espiritismo: Por suas calúnias eles mostram as fraquezas de sua própria causa e a desacreditam, mostrando a que lamentáveis extremos são obrigados a recorrer para sustentá-la. Que peso pode ter uma opinião fundada em erros manifestos? De duas, uma: ou os erros são voluntários e então está vista a má fé; ou são involuntários e o autor prova a sua inconsequência, falando do que não sabe. Num caso, como no outro, perde o direito à confiança.
O Espiritismo não é obra que marche na sombra. Ele é conhecido; seus princípios são formulados com clareza, precisão e sem ambiguidades. A calúnia não poderia, pois, atingi-lo. Para convencê-la de impostura basta dizer: lede e vede. Sem dúvida, é útil desmascará-la. Mas é preciso fazê-lo com calma, sem azedume nem recriminação, limitando-se a opor, sem palavras supérfluas, o que é ao que não é. Deixai aos vossos adversários a cólera e as injúrias, e guardai para vós o papel da força verdadeira: o da dignidade e da moderação.
Aliás, é preciso não exagerar as consequências dessas calúnias, que trazem consigo o antídoto de seu veneno e são, em definitivo, mais vantajosos que prejudiciais. Elas provocam forçosamente o exame dos homens sérios que querem julgar as coisas por si mesmas, e a isso são levados em razão da importância que lhes é dada. Ora, longe de temer o exame, o Espiritismo o provoca e só lamenta uma coisa: é que tanta gente fale dele como os cegos das cores. Mas, graças aos cuidados que os nossos adversários tomam em torná-lo conhecido, em breve esse inconveniente não existirá mais, eis tudo o que pedimos. A calúnia que ressalta de tal exame engrandece-o em vez de diminuí-lo.
Espíritas, não lamenteis, pois, essas falsificações. Elas não tiram nenhuma das qualidades do Espiritismo. Ao contrário, elas o farão sobressair com mais brilho pelo contraste, e deixarão confusos os caluniadores.
Por certo essas mentiras podem ter o efeito imediato de abusar de certas pessoas, e mesmo confundi-las, mas, o que é isso? Que são alguns indivíduos junto às massas? Vós mesmos sabeis quanto o seu número é pouco considerável. Que influências terá isto no futuro? Esse futuro vos está assegurado: os fatos realizados por ele o respondem, e cada dia vos trazem a prova da inutilidade dos ataques dos adversários.
A doutrina do Cristo não foi caluniada, qualificada de subversiva e ímpia? Ele mesmo não foi tratado como louco e impostor? Ele abalou-se por isso? Não, porque sabia que seus inimigos passariam, mas sua doutrina ficaria.
Assim será com o Espiritismo. Singular coincidência! Ele não é outra coisa senão a volta à pura lei do Cristo, e o atacam com as mesmas armas! Mas os seus detratores passarão; é uma necessidade à qual ninguém pode subtrair-se.
A geração atual se extingue todos os dias, e com ela se vão os homens imbuídos de preconceitos de outra época. A que desabrocha é alimentada por ideias novas e, aliás, sabeis que ela se compõe de Espíritos mais adiantados que, enfim, devem fazer a lei de Deus reinar na Terra.
Assim, olhai as coisas de mais alto, e não as vejais do ponto de vista estreito do presente, mas estendei vosso olhar na direção do futuro e dizei: O futuro nos pertence! Que são as questões pessoais? As pessoas passam e as instituições ficam.
Pensai que estamos num momento de transição; que assistimos à luta entre o passado, que se debate e puxa para trás, e o futuro que nasce e empurra para a frente. Qual deles vencerá? O passado é velho e caduco ─ falamos das ideias ─ enquanto o futuro é jovem e marcha para a conquista do progresso que está nas leis de Deus. Vão-se os homens do passado; chegam os do futuro.
Saibamos, pois, esperar com confiança, e felicitemo-nos por sermos os primeiros pioneiros encarregados de preparar o terreno. Se temos trabalho, teremos salário. Trabalhemos, pois, não por meio de uma propaganda furibunda e irrefletida, mas com a paciência e a perseverança do trabalhador que sabe o tempo que lhe é necessário para esperar a colheita.
Semeemos a ideia, mas não comprometamos a colheita por uma semeadura intempestiva e por nossa própria impaciência, antecipando a estação adequada a cada coisa. Cultivemos sobretudo as plantas férteis, que só precisam ser plantadas. Elas são bastante numerosas para ocupar todos os nossos instantes, sem gastar nossas forças contra as rochas inamovíveis que Deus se encarrega de abalar ou de extirpar, quando for tempo, porque se ele tem o poder de elevar montanhas, tem o de rebaixá-las.
Falemos sem dissimulação e digamos claramente que há resistências que será supérfluo tentar vencer, que se obstinam mais por amor próprio ou por interesse do que por convicção. Seria perder tempo procurar trazê-las para o nosso lado. Elas não cederão senão ante a força da opinião. Recrutemos os adeptos entre gente de boa vontade, que não falta; aumentemos a falange com todos os que, fatigados pela dúvida e horrorizados com o nada materialista, só desejam crer, e em breve seu número será tal que os outros acabarão por se render à evidência. Já se manifesta o resultado. Esperai, que em pouco vereis em vossas fileiras aqueles que só esperáveis no fim.
[1] Antiga moeda de valor equivalente a 5 cêntimos de franco.
Falsos irmãos e amigos ineptos
Em relação ao Espiritismo, esta verdade ressalta dos fatos realizados e, muito mais ainda, de outro ponto capital. Se o Espiritismo fosse uma simples teoria, um sistema, poderia ser combatido por outro sistema, mas ele repousa numa lei da Natureza, assim como o movimento da Terra.
A existência dos Espíritos é inerente à espécie humana. Não é possível evitar que existam, como não se pode impedir a sua manifestação, do mesmo modo que não se impede o homem de caminhar. Para tanto eles não precisam de licença e se riem de toda proibição, pois não se deve perder de vista que, além das manifestações mediúnicas propriamente ditas, há manifestações naturais e espontâneas, que se produziram em todos os tempos e que se produzem diariamente numa porção de gente que jamais ouviu falar de Espíritos.
Quem, pois, poderia opor-se ao desenvolvimento de uma lei da Natureza? Sendo obra de Deus, insurgir-se contra essa lei é revoltar-se contra Deus. Estas considerações explicam a inutilidade dos ataques dirigidos contra o Espiritismo. O que tem os espíritas a fazer em presença dessas agressões é continuar pacificamente seus trabalhos, sem basófia, com a calma e a confiança dadas pela certeza de atingir o objetivo.
Contudo, se nada pode parar a marcha geral, há circunstâncias que podem determinar entraves parciais, como uma pequena barragem pode desacelerar o curso de um rio, sem impedi-lo de correr. Entre essas circunstâncias estão os movimentos inconsiderados de certos adeptos mais zelosos que prudentes, que não calculam bem o alcance de seus atos ou de suas palavras. Assim, produzem sobre as pessoas não iniciadas na doutrina uma impressão desfavorável, muito mais própria a afastá-las que as diatribes dos adversários.
Sem dúvida, o Espiritismo está muito difundido, mas estaria ainda mais se todos os adeptos tivessem sempre escutado os conselhos da prudência e guardado uma sábia reserva. Sem dúvida é preciso levar-lhes em conta a intenção, mas é certo que mais de um tem justificado o provérbio: “Melhor um inimigo declarado que um amigo inepto.”
O pior disto é fornecer armas aos adversários, que sabem explorar habilmente uma falha. Nunca seria demais recomendar aos espíritas refletir maduramente antes de agir. Em tais casos manda a prudência não se bastar à opinião pessoal. Hoje, que de todos os lados se formam grupos ou sociedades, nada mais simples que se reunir antes de agir. Não tendo em vista senão o bem da causa, o verdadeiro espírita sabe fazer abnegação do amor próprio. Crer em sua infalibilidade, recusar o conselho da maioria e persistir num caminho que se revela mau e comprometedor, não é atitude do verdadeiro espírita. Seria dar prova de orgulho, senão de obsessão.
Entre as inabilidades colocam-se em primeira linha as publicações intempestivas ou excêntricas, por serem fatos de maior repercussão. Nenhum espírita ignora que os Espíritos estão longe de possuir a ciência suprema, pois muitos dentre eles sabem menos que certos homens e também, como certos homens, têm a pretensão de saber tudo. Sobre todas as coisas têm sua opinião pessoal, que pode estar certa ou errada. Ora, ainda como os homens, os que têm ideias mais falsas são os mais cabeçudos. Esses falsos sábios falam de tudo, armam sistemas, criam utopias ou ditam as coisas mais excêntricas e sentem-se felizes quando encontram intérpretes complacentes e crédulos que aceitam as suas elucubrações de olhos fechados. Tais publicações têm inconvenientes muito graves, porque o próprio médium, enganado, seduzido muitas vezes por um nome apócrifo, as dá como coisas sérias das quais a crítica se apodera para denegrir o Espiritismo, ao passo que, com menos presunção, bastaria ter-se aconselhado com os colegas para ser esclarecido. É muito raro que, neste caso, o médium não ceda às injunções de um Espírito que, ainda como certos homens, quer ser publicado a qualquer preço. Com mais experiência ele saberia que os Espíritos verdadeiramente superiores aconselham, mas nem se impõem nem adulam jamais e que toda prescrição imperiosa é um sinal suspeito.
Quando o Espiritismo estiver completamente assente e conhecido, as publicações dessa natureza não terão mais inconvenientes que os maus tratados de ciência em nossos dias. Mas no começo — repetimo-lo – elas têm um lado muito prejudicial. Assim, em se tratando de publicidade, toda circunspecção é pouca e não se calcularia com bastante cuidado o efeito que talvez produzisse sobre o leitor. Em resumo, é um grave erro crer-se obrigado a publicar tudo quanto ditam os Espíritos, porque, se os há bons e esclarecidos, também os há maus e ignorantes. Importa fazer uma escolha muito rigorosa de suas comunicações e afastar tudo quanto for inútil, insignificante, falso ou de natureza a produzir má impressão. E necessário semear, sem dúvida, mas semear boa semente e em tempo oportuno.
Passemos a assunto ainda mais grave, os falsos irmãos. Os adversários do Espiritismo, alguns pelo menos, porquanto existem os de boa-fé, eles não são, como se sabe, absolutamente escrupulosos quanto à escolha dos meios. Para eles tudo vale na guerra, e quando não se pode tomar a cidadela de assalto, mina-se-lhe as bases. Na falta de boas razões, que são as armas leais, vemo-los diariamente despejar mentiras e calúnias sobre o Espiritismo. A calúnia é odiosa, eles bem o sabem, e a mentira pode ser desmentida. Assim, procuram fatos para justificar-se. Mas como achar fatos comprometedores entre gente séria, senão os produzindo por si mesmos ou pelos afiliados? O perigo não está no ataque aberto, nem nas perseguições, nem mesmo nas calúnias, como vimos. Está nos artifícios ocultos empregados para desacreditar e arruinar o Espiritismo por si mesmo. Consegui-lo-ão? É o que vamos examinar.
Já chamamos a atenção para essa manobra no relatório de nossa viagem de 1862, porque, em nossa caminhada, recebemos três beijos de Judas, com os quais não nos enganamos, posto não nos tivéssemos manifestado. Aliás, tínhamos sido prevenidos antes de nossa partida, bem como das armadilhas que nos seriam preparadas. Mas ficamos de olho, certo de que um dia mostrariam as unhas, porque é tão difícil a um falso espírita imitar sempre um verdadeiro espírita, quanto a um mau Espírito simular um Espírito superior. Nem um nem outro pode sustentar seu papel por muito tempo.
De várias localidades nos indicam homens e senhoras de antecedentes e ligações suspeitas, cujo zelo aparente pelo Espiritismo apenas inspira medíocre confiança, e não nos surpreendemos de entre eles encontrar os três Judas de que falamos: eles existem nas baixas e nas altas camadas. Da parte deles muitas vezes é mais que zelo: é entusiasmo, uma admiração fanática. Em sua opinião, seu devotamento vai até o sacrifício de seus interesses e, não obstante, não atraem simpatias: um fluido malsão parece envolvê-los; sua presença nas reuniões lança um manto de gelo. Acrescente-se que os meios de subsistência de alguns é um problema, sobretudo no interior, onde todo mundo se conhece.
O que caracteriza principalmente esses pretensos adeptos é a tendência para fazer o Espiritismo sair dos caminhos da prudência e da moderação por seu ardente desejo do triunfo da verdade; a estimular as publicações excêntricas; a extasiar-se de admiração ante as comunicações apócrifas mais ridículas que eles têm o cuidado de espalhar; a provocar, nas reuniões, assuntos comprometedores sobre política e religião, sempre para a vitória da verdade que não pode ficar sob o velador. Seus elogios aos homens e às coisas são incensórios de arrebentar: são os ferrabrás do Espiritismo. Outros são mais adocicados e hipócritas. Com olhar oblíquo e palavras melosas sopram a discórdia enquanto pregam a união. Colocam em discussão, com habilidade, questões irritantes ou ferinas, assuntos de natureza a provocar dissidências. Excitam uma inveja de preponderância entre os vários grupos e ficariam encantados se os vissem a se apedrejarem e, em favor de algumas diferenças de opinião sobre questões formais ou de fundo, geralmente provocadas, erguerem bandeira contra bandeira.
Alguns, ao que dizem, fazem enorme aquisição de livros espíritas, de que os livreiros mal se apercebem, e uma propaganda intensa. Mas, por efeito do acaso, a escolha de seus adeptos é infeliz. Uma fatalidade os leva a procurar de preferência gente exaltada, de ideias obtusas, ou que já deram sinais de aberração. Depois, ao estourar um caso que deploram gritando por toda parte, constata-se que essa gente se ocupava do Espiritismo, do qual, a maior parte do tempo, não entenderam uma palavra. Aos livros espíritas que esses zelosos apóstolos distribuem generosamente, com frequência adicionam, não críticas, pois seria inabilidade, mas livros de magia e feitiçaria ou escritos políticos pouco ortodoxos, ou ignóbeis diatribes contra a religião, a fim de que, surgindo um caso, fortuito ou não, numa verificação se possa confundir tudo.
Como é mais cômodo ter as coisas na mão, para ter compadres dóceis, o que não se encontra em toda parte, alguns organizam ou fazem organizar reuniões onde se ocupam de preferência daquilo que precisamente o Espiritismo desaconselha, e onde há o cuidado de atrair estranhos que nem sempre são amigos. Ali o sagrado e o profano estão indignamente confundidos; os mais venerados nomes são misturados às mais ridículas práticas de magia negra, acompanhadas de sinais e termos cabalísticos, talismãs, tripés sibilinos e outros acessórios. Alguns adicionam, como complemento, e por vezes com objetivo de lucro, a cartomancia, a quiromancia, a borra de café, o sonambulismo pago etc. Espíritos complacentes, que aí encontram intérpretes não menos complacentes, predizem o futuro, leem a buena-dicha, descobrem tesouros ocultos e tios na América e, caso necessário, indicam o curso da bolsa e os números premiados na loteria. Depois, um belo dia, a justiça intervém, ou a gente lê nos jornais a descrição de uma sessão espírita à qual o autor assistiu e conta o que viu; o que viu com seus próprios olhos.
Tentareis trazer toda essa gente a ideias mais sãs? Seria trabalho perdido, e compreende-se por quê: A razão e o lado sério da doutrina não lhes interessa; é o que mais os aflige. Dizer-lhes que prejudicam a causa e que dão armas aos inimigos é agradá-los. Seu objetivo é desacreditá-la, com ares de defendê-la. Instrumentos, não temem comprometer os outros, levando-os a enfrentar os rigores da lei, nem a si mesmos, pois sabem arranjar uma compensação.
Nem sempre seu papel é idêntico: varia conforme sua posição social, suas aptidões, a natureza de suas relações e o elemento que os faz agir, mas o objetivo é sempre o mesmo. Nem todos empregam meios tão grosseiros, mas que nem por isto são menos pérfidos. Lede certas publicações que se dizem simpáticas à ideia, e mesmo aparentemente em defesa da idéia; examinai todos os pensamentos e vede se por vezes ao lado de uma aprovação posta à guisa de cobertura e de etiqueta, não descobris, como que lançado ao acaso, um pensamento insidioso, uma insinuação de sentido dúbio, um fato relatado de modo ambíguo e que pode ser interpretado desfavoravelmente. Entre estes, uns são menos velados e, sob o manto do Espiritismo, têm em vista suscitar divisões entre adeptos.
Por certo nos perguntarão se todas as torpezas de que acabamos de falar são invariavelmente manobras ocultas ou uma comédia com fim interesseiro, e se também não podem ser um movimento espontâneo. Numa palavra, se todos os espíritas são homens de bom-senso e incapazes de se enganar.
Pretender que todos os espíritas sejam infalíveis seria tão absurdo quanto a pretensão dos nossos adversários ao privilégio exclusivo da razão. Mas se alguns se enganam, é que se confundem quanto ao sentido e a finalidade da doutrina. Neste caso, sua opinião não pode fazer lei e é ilógico ou desleal, conforme a intenção, tomar a ideia individual pela ideia geral e explorar a exceção. Seria o mesmo que tomar as aberrações de alguns sábios como regra de ciência. A esses diremos: Se quiserdes saber de que lado está a presunção de verdade, estudai os princípios admitidos pela imensa maioria, se ainda não for pela unanimidade absoluta dos espíritas do mundo inteiro.
Os crentes de boa-fé, pois, podem enganar-se, e não julgamos crime se não pensarem como nós. Se, entre as torpezas acima referidas, algumas fossem apenas opinião pessoal, só poderíamos ver nisso desvios isolados, lamentáveis, mas seria injusto fazer recair a responsabilidade sobre a doutrina que os repudia claramente. Mas se dizemos que podem ser o resultado de manobras interessadas, é que nosso quadro é feito sobre modelos. Ora, como é a única coisa que o Espiritismo tem realmente a temer no momento, convidamos todos os adeptos sinceros a se porem em guarda, evitando as ciladas que lhes poderiam armar. Para tanto não seria demasiada a circunspecção na escolha de elementos a introduzir nas reuniões, nem a cuidadosa repulsa a todas as sugestões que tendessem a desnaturar o caráter essencialmente moral. Mantendo a ordem, a dignidade e a gravidade que convém a homens sérios, ocupados com uma coisa séria, fecharão o acesso aos malintencionados, que se retirarão quando reconhecerem que aí nada têm a fazer. Pelos mesmos motivos, devem declinar de toda solidariedade com as reuniões formadas fora das condições prescritas pela sã razão e pelos verdadeiros princípios da doutrina, se eles não puderem conduzi-los ao bom caminho.
Como se vê, há certamente uma grande diferença entre falsos irmãos e amigos ineptos, mas, sem o querer, o resultado pode ser o mesmo: desacreditar a doutrina. A nuança que os separa frequentemente está apenas na intenção, o que, por vezes, permitiria a confusão, e, vendo-os servir aos interesses do partido contrário, supor que por este foram conquistados. A circunspecção é, pois, sobretudo neste momento, mais necessária que nunca, pois não devemos esquecer que palavras, ações e escritos inconsiderados são explorados, e que os adversários se encantam por poderem dizer que isto vem dos Espíritos.
Neste estado de coisas, compreende-se que armas a especulação, em razão dos abusos aos quais ela pode dar lugar, pode oferecer aos detratores para apoiar a acusação de charlatanice. Isto, pois, em certos casos, pode ser uma cilada da qual se deve desconfiar. Ora, como não há charlatanice filantrópica, a abnegação e o desinteresse absolutos dos médiuns tiram dos detratores um de seus mais poderosos meios de denegrir, cortando cerce toda discussão a respeito desse assunto.
Levar a desconfiança ao excesso seria um erro grave, sem dúvida, mas em tempo de guerra, e quando se conhece a tática do inimigo, a prudência torna-se uma necessidade que não exclui nem a moderação nem a observação das conveniências, das quais nunca nos devemos separar.
Por outro lado, não nos deveríamos enganar quanto ao caráter do verdadeiro espírita, pois há nele uma franqueza de atitudes que desafia qualquer suspeita, sobretudo quando corroborada pela prática dos princípios da doutrina. Mesmo que se erga bandeira contra bandeira, como tentam fazer nossos antagonistas, o futuro de cada uma está subordinado à soma de consolações e satisfações morais que elas trazem. Um sistema não pode prevalecer sobre outro se não for mais lógico, o que só a opinião pública pode julgar. Em todo caso, a violência, as injúrias e a acrimônia são maus antecedentes e uma recomendação ainda pior.
Resta examinar as consequências de tal estado de coisas. Essas manobras, sem dúvida, podem levar momentaneamente a algumas perturbações parciais, razão pela qual é necessário adiá-las tanto quanto possível, mas não prejudicariam o futuro, em primeiro lugar porque terão um tempo restrito, de vez que são uma manobra da oposição que cairá pela força das coisas; em segundo lugar porque, digam o que disserem e façam o que fizerem, jamais tirarão da doutrina seu caráter distintivo, sua filosofia racional e sua moral consoladora. Por mais que a torturem e deformem, por mais que façam falar os Espíritos à sua vontade ou recolham comunicações apócrifas para lançar contradições, não farão prevalecer um ensino isolado, mesmo que verdadeiro e não suposto, contra aquele que é dado por toda parte.
O Espiritismo se distingue de todas as outras filosofias porque não é concepção filosófica de um homem só, mas de um ensino que cada um pode receber em todos os cantos da Terra, e tal é a consagração que O Livro dos Espíritos recebeu. Escrito sem equívocos possíveis e ao alcance de todas as inteligências, esse livro será sempre a expressão clara e exata da doutrina e a transmitirá intacta aos que vierem depois de nós. As cóleras que ele excita são indícios do papel que tem de representar, e da dificuldade de lhe opor algo de mais sério. O que fez o rápido sucesso da Doutrina Espírita foram as consolações e as esperanças que ela dá. Todo sistema que, pela negação dos princípios fundamentais, tendesse a destruir a própria fonte dessas consolações, não poderia ser acolhido com indulgência.
É preciso não perder de vista que estamos, como já dissemos, em momento de transição, e que nenhuma transição se opera sem conflito. Não se admirem de ver agitarem-se as paixões em jogo, as ambições comprometidas, as pretensões frustradas, e cada um tentar retomar o que lhe escapa, aferrando-se ao passado. Pouco a pouco, tudo isso se extingue. A febre se acalma, os homens passam e as ideias novas ficam.
Espíritas, elevai-vos pelo pensamento. Lançai vosso olhar vinte anos para a frente, e o presente não mais vos inquietará.
Morte do Sr. Guillaume Renaud, de Lyon
Homem simples e modesto, o Sr. Renaud quase não era conhecido fora de Lyon. Contudo, sua morte repercutiu até numa aldeia da Haute-Saône, onde foi contada no púlpito, no domingo, 8 de fevereiro, do seguinte modo:
O vigário da paróquia, falando aos paroquianos sobre os horrores do Espiritismo, acrescentou que “o chefe dos espíritas de Lyon tinha morrido há três ou quatro dias; que tinha recusado os sacramentos; que ao seu enterro haviam comparecido apenas dois ou três espíritas, sem parentes nem sacerdotes; que se o chefe dos espíritas (fazendo alusão ao Sr. Allan Kardec) viesse a morrer, ele o lamentaria, se ele fizesse como aquele de Lyon.” Depois concluiu, dizendo que não negaria nada dessa doutrina, que não afirmava nada, a não ser que era do demônio, que age contra a vontade de Deus.
Se quiséssemos refutar todas as falsidades que atribuem ao Espiritismo, tentando adulterar sua finalidade e seu caráter, só com isso encheríamos nossa Revista. Como isto não nos inquieta, deixamos que falem, limitando-nos a recolher as notas que nos enviam, para usá-las depois, se possível, na história do Espiritismo.
Nas circunstâncias que acabamos de falar, trata-se de um fato material, sobre o qual o Sr. vigário sem dúvida foi mal informado, pois não queremos supor que conscientemente tenha desejado induzir em erro. Ele teria agido melhor, sem dúvida, se não se apressasse e se aguardasse informações mais exatas.
Acrescentaremos que nessa comuna, há pouco tempo, quando da morte de um de seus habitantes, espalharam o boato ─ de muito mau gosto, por certo ─ que a sociedade dos Irmãos Batedores, composta de sete ou oito indivíduos da comuna, queria ressuscitar os mortos, pondo-lhes na fronte emplastros feitos com uma pomada preparada pela Sociedade Espírita de Paris; que essa sociedade de irmãos batedores todas as noites ia visitar o cemitério para reanimar os mortos. As mulheres e a gente moça do bairro ficavam apavoradas a ponto de não mais ousarem sair de casa, com medo de encontrar o defunto.
Não era preciso mais para impressionar desagradavelmente algum cérebro fraco ou doentio, e se acontecesse um acidente, logo teriam culpado o Espiritismo.
Voltemos ao Sr. Renaud. Durante sua doença, inúteis esforços foram tentados para que ele fizesse uma autêntica abjuração das crenças espíritas. Não obstante, um venerável sacerdote recebeu sua confissão e lhe deu a absolvição. É certo que depois disto quiseram retirar o atestado de confissão e que a absolvição fosse declarada nula pelo clero de Saint-Jean, como tendo sido dada irrefletidamente. É um caso de consciência que não podemos resolver. Daí essa reflexão muito justa, feita em público, que aquele que recebe a absolvição antes de morrer não pode saber se ela é válida ou não, considerando-se que um padre, com a melhor das intenções, pode dála de maneira irrefletida. O clero, pois, se recusou obstinadamente a receber o corpo na igreja, porque o Sr. Renaud não quis retratar-se das convicções que lhe haviam dado tantas consolações e feito suportar com resignação as provas da vida.
Por uma questão de decoro, que será apreciada, e em razão das pessoas que seríamos forçados a citar, mantemos silêncio sobre as lamentáveis manobras que foram tentadas e as mentiras que foram contadas para provocar desordem nessa circunstância. Limitar-nos-emos a dizer que elas foram completamente contraditadas pelo bom-senso e prudência dos espíritas que, a respeito, receberam provas da benevolência das autoridades. Recomendações haviam sido feitas por todos os chefes de grupos para que não se desse resposta a nenhuma provocação.
Sobre a recusa do clero de conceder as orações da Igreja, o corpo foi levado diretamente da casa ao cemitério, seguido por aproximadamente mil pessoas, entre as quais cerca de cinquenta senhoras e moças, o que não é hábito em Lyon. Sobre o túmulo foi lida uma prece especial, por um dos assistentes, por todos escutada com a cabeça descoberta, em religioso recolhimento. Em seguida a multidão silenciosa retirou-se e tudo terminou como havia começado, na mais perfeita ordem.
Como contraste diremos que nosso antigo colega, Sr Sanson, recebeu todos os sacramentos antes de morrer; que ele foi levado à igreja e acompanhado por um padre ao cemitério, embora tivesse previamente declarado de modo formal que era espírita e não renegava nenhuma de suas convicções. Disse-lhe o padre:
─ Se, entretanto, eu fizesse a absolvição depender desta condição, que faríeis?
─ Ficaria aborrecido, respondeu o Sr. Sanson, mas persistiria, porque vossa absolvição não valeria nada.
─ Como assim? Não credes na eficácia da absolvição?
─ Sim, mas não creio na validade de uma absolvição recebida por hipocrisia. Escutai-me. O Espiritismo não é para mim apenas uma crença, um artigo de fé, é um fato tão patente quanto a vida. Como quereis que eu negue um fato que me é demonstrado como a luz que nos ilumina e ao qual devo a cura miraculosa da minha perna? Se o fizesse, seria com os lábios e não com o coração; eu seria perjuro. Então daríeis a absolvição a um perjuro. Digo que ela de nada valeria porque a daríeis à forma e não pelo fundo. Eis por que preferiria dela privar-me.
─ Meu filho, respondeu o padre, sois mais cristão do que muitos daqueles que tal se dizem.
Ouvimos estas palavras do próprio Sr. Sanson.
Como podem apresentar-se, aqui ou ali, circunstâncias semelhantes às do Sr. Renaud, esperamos que todos os espíritas sigam o exemplo dos de Lyon e que em nenhum caso percam a moderação, que é uma consequência dos princípios da doutrina, e a melhor resposta a dar aos seus detratores, que só buscam pretextos para justificar os seus ataques.
“Ainda estou um pouco embaraçado para comunicar-me, e posto encontre aqui rostos amigos e corações simpáticos, sinto-me quase envergonhado ou, para melhor dizer, meu pensamento está um pouco jovem. Oh! senhora B..., que diferença e que mudança na minha posição! Muito obrigado por vossa constante afeição. Obrigado, senhora V..., por vossas boas visitas e por vossa acolhida.
“Perguntais e quereis saber o que me aconteceu desde ontem. Comecei por me destacar do corpo, pela manhã. Parecia-me que eu evaporava. Eu sentia o sangue coagular-se nas veias e parecia que me ia aniquilar. Pouco a pouco perdi a percepção das ideias e adormeci com certa dor compressiva, depois despertei e então vi em redor de mim Espíritos que me cercavam e festejavam. Então fiquei um pouco confuso, pois não distinguia bem os mortos dos vivos; as lágrimas e as alegrias me perturbaram um pouco a cabeça, e de todos os lados me chamavam, como ainda neste momento. Sim, graças aos verdadeiros amigos que me protegeram, evocado e encorajado nessa dura passagem, pois há sofrimento no desligamento, e não é sem dor muito viva que o Espírito deixa o corpo, compreendo o grito de chegada e o suspiro da partida. Já fui evocado várias vezes, por isso estou fatigado como um viajante que varou a noite.
“Antes de partir, permitireis que volte para apertar a mão de todos?
Resposta da sociedade espírita de Paris a questões religiosas (Resumo do relatório verbal da sessão de 13 de fevereiro de 1863)
2.º ─ Podereis pôr ao alcance de minha inteligência a explicação que vos pedi sobre a cena que precedeu a vossa paixão?
3.º ─ Por que se realizou a vossa paixão?
4.º ─ Que devo pensar da comunhão? Estais na hóstia, meu Jesus?
5.º ─ Que tem de comum o poder temporal com o poder espiritual para não poder se separar dele?
6.º ─ Que tem o amor de tão precioso para estar no coração de todas as criaturas?
7.º ─ Que é a história sagrada e quem a fez?
8.º ─ Que significam as palavras história sagrada?
Depois de examinar o assunto, o comitê propõe a resolução seguinte, que lê à Sociedade, a qual a aprova calorosamente, por unanimidade, e pede a inserção na Revista Espírita, para instrução de todos, a fim de que se compreenda a inutilidade de dirigir, no futuro, perguntas sobre semelhantes assuntos.
Se o autor se tivesse limitado à primeira pergunta, bastaria enviá-lo a O Livro dos Espíritos, onde o assunto é tratado. Aliás, a questão é mal apresentada. Não se sabe se ele entende a eternidade como um lugar de expiação, ou das penas infligidas a cada indivíduo.
Decisão da sociedade espírita de Paris sobre perguntas dirigidas de Tonnay-Charente (Sessão de 13 de fevereiro de 1863)
Como aplicação dos princípios acima, a Sociedade Espírita de Paris se interdita, por seus regulamentos, a todas as questões de controvérsia religiosa, política e de economia social, e não cederá a nenhum incitamento que tenda a desviá-la dessa linha de conduta.
Por estes motivos, nem oficial nem oficiosamente ela emitiria opinião quanto ao valor das respostas ditadas ao médium do Sr. M..., por serem suas respostas essencialmente dogmáticas e até mesmo políticas, e ainda menos delas fazer objeto de uma discussão solene, como pede o autor da carta.
Quanto ao livro que deve tratar dessas questões, e cuja publicação é prescrita pelo Espírito que a ditou, a Sociedade não hesita em declarar que considera tal publicação inoportuna e perigosa, pois ela poderia fornecer armas aos inimigos do Espiritismo. Em consequência, ela acredita que é seu dever desaconselhar, como desaconselha toda publicação própria a falsear a opinião sobre o fim e as tendências da doutrina.
No que concerne à natureza do Espírito que ditou aquelas comunicações, a Sociedade julga dever lembrar que o nome que toma um Espírito jamais é garantia de sua identidade; que não é possível ver uma prova de superioridade nalgumas ideias justas que emita, se ao lado dessas encontramos outras falsas.
Os Espíritos realmente superiores são lógicos e coerentes em tudo o que dizem. Ora, não é este o caso do Espírito de que se trata. Sua pretensão de crer que esse livro deve ter como consequência levar o governo a modificar certas partes de sua política, bastaria para fazer duvidar de sua elevação e melhor ainda do nome que toma, porque isto não é racional. Sua insuficiência ressalta ainda de dois outros fatos não menos característicos.
O primeiro é que é completamente falsa a informação de que o Sr. Allan Kardec tenha recebido a missão, como pretende o Espírito, de examinar e fazer publicar o livro de que se trata. Se ele tem a missão de examiná-lo, não pode ser senão para fazer sentir os inconvenientes e combater a publicação.
O segundo fato está na maneira pela qual o Espírito exalta a missão do médium, o que jamais fazem os bons Espíritos, e o que fazem, ao contrário, os que se querem impor captando a confiança por meio de bonitas palavras, com a ajuda das quais esperam fazer passar o resto.
Em resumo, torna-se evidente para a Sociedade que o nome com que se enfeita o Espírito, que diz ser o Cristo, é apócrifo. Ela se julga no dever aconselhar o autor da carta, bem como o seu médium, a não ter ilusões sobre essas comunicações e a restringir-se ao objetivo essencial do Espiritismo.
François-Simon Louvet, do Havre
Tende piedade de um pobre miserável que há longos anos sofre torturas cruéis! Oh! O vazio... o espaço... eu caio, eu caio, socorro! Meu Deus tive uma vida tão miserável!... Eu era um pobre diabo, por vezes passei fome nos dias da velhice. Por isso me dei à bebida e tinha vergonha e desgosto de tudo... Quis morrer e atireime.... Oh! Meu Deus, que momento!... Por que então desejar acabar com tudo, quando eu estava tão próximo do fim? Orai para que eu não veja sempre o vazio abaixo de mim... Vou me arrebentar nessas pedras. Eu vos conjuro, a vós que conheceis as misérias dos que não estão mais na Terra, eu me dirijo a vós, mesmo que não me conheçais, porque sofro tanto... Por que querer ter provas? Eu sofro, isto não basta? Se eu tivesse fome em vez deste sofrimento terrível mas invisível para vós, não hesitaríeis em me aliviar, dando-me um pedaço de pão. Eu vos peço que oreis por mim. Não posso ficar mais. Perguntai e um destes felizes que estão aqui e sabereis quem eu era. Orai por mim.
FRANÇOIS-SIMON LOUVET
Adeus, meus bem-amados. Eu vos acompanho nas tristezas e nas alegrias.
A paz esteja com todos.
Teu Espírito Protetor
Tendo-se feito buscas, foi encontrado no Journal du Havre de 23 de julho de 1857, um artigo, cuja substância é a seguinte:
“Ontem, às quatro horas, os transeuntes do cais ficaram dolorosamente impressionados por um horrível acidente. Um homem atirou-se da torre e veio arrebentar-se nas pedras. Era um velho coitado cujas tendências para a bebida arrastaram ao suicídio. Chama-se François-Victor-Simon Louvet. O corpo foi transportado para a casa de uma das filhas, na Rua de la Corderie. Ele tinha sessenta e sete anos”.
NOTA: Um incrédulo, a quem foi relatado esse fato mediúnico como prova das comunicações de além-túmulo, respondeu: “Mas quem sabe se o médium não tinha conhecimento do Journal du Havre e se não construiu o romance com a notícia?”
Como se vê, a trapaça é sempre o último reduto dos negadores quando não se podem dar conta de um fato cuja evidência material não pode ser posta em dúvida. Com eles, nem mesmo basta mostrar que não se tem nada nas mãos nem nos bolsos, porque, dizem eles, os escamoteadores fazem o mesmo e, entretanto, desafiam a argúcia do observador.
A isto, perguntaremos, por nossa vez, que interesse poderia ter o médium em representar a comédia? Aqui nem se pode supor um interesse de amor-próprio numa coisa que se passa na intimidade da família, onde se enganaria apenas a si mesmo e aos seus. Aliás, quando a gente quer divertir-se, não se escolhem assuntos dessa natureza, pouco recreativos, e não é admissível que uma moça piedosa misture o nome de Deus a uma brincadeira grosseira. O desinteresse absoluto e a honorabilidade da pessoa são as melhores garantias de sinceridade e a resposta mais peremptória a dar em casos que tais.
Além disso, faremos notar o castigo infligido a esse suicida. Falecido há seis anos, ele se vê sempre caindo da torre e indo quebrar-se nas pedras; espanta-se com o vazio que há em sua frente, e isto há seis anos! Quanto tempo isso durará? Ele não sabe, e essa incerteza lhe aumenta sua angústia. Isto não equivale ao inferno e suas labaredas? Quem nos revelou tais castigos? Nós os inventamos? Não. São os próprios sofredores que no-los vêm descrever, como outros descrevem as suas alegrias.
Palestras familiares de além-túmulo - Clara Rivier (Sociedade espírita de Paris, 23 de janeiro de 1863 - Médium: Sr. Leymarie)
“Com efeito, quando estava para chegar o momento fatal, chamou os seus dizendo: ‘Não tenho mais que cinco minutos de vida. Dai-me as vossas mãos’. E expirou, como havia anunciado.
“Depois disso, um Espírito batedor tem vindo visitar a casa dos Rivier, onde derruba tudo. Ele bate na mesa como se tivesse um macete; agita as cortinas, mexe na louça e joga bolas no celeiro. Esse Espírito apareceu sob a forma de Clara à irmãzinha dela, de apenas cinco anos. Segundo a menina, sua irmã lhe falou muitas vezes, e o que exclui o pensamento de incerteza é que as aparições lhe fazem soltar gritos de alegria, ou de lamentação, se não fazem logo o que ela deseja, isto é, apagar o fogo e todas as luzes do quarto onde se dá a visão, enquanto a criança não cessa de dizer: ‘Mas vejam como Clara está linda!’
“Desejando saber o que Clara queria, ela pediu ao pai que lhe devolvessem o cabelo que lhe haviam cortado, conforme costume da região. Mas, posto tivessem os pais satisfeito o desejo, levando os cabelos ao túmulo, o Espírito continuou as visitas e o barulho, que eu mesmo testemunhei, a ponto de os vizinhos e os amigos se comoverem. Então doutrinei os pais, perguntando se não tinham nada a se censurarem em relação a alguém, ou cometido qualquer ação desleal. Era provável que o Espírito os atormentasse enquanto não tivessem reparado suas faltas, para o que os aconselhei, seriamente.
1. Evocação de Clara Rivier. ─ Estou ao vosso lado, disposta a responder.
Outro pensamento não menos profundo é o que atribui as calamidades dos povos à infração da lei de Deus, porque Deus castiga os povos como castiga os indivíduos. É certo que se praticassem a lei da caridade, nem haveria guerras, nem grandes misérias. É a prática dessa lei que conduz o Espiritismo. Será por isso que encontra inimigos tão encarniçados? As palavras da menina a seus pais serão as de um demônio?
Fotografia dos Espíritos
O Courrier du Bas-Rhin de sábado, 3 de janeiro de 1863, (parte alemã) traz o seguinte artigo, sob o título Fotografia espectral:
“Os americanos, que nos vão à frente em muitas coisas, certamente nos ultrapassam na arte fotográfica e da evocação dos Espíritos. Em Boston, hoje, os defuntos não são apenas chamados pelos médiuns mas ainda fotografados. A descoberta maravilhosa é devida a um Sr. William Mumler, de Boston.
“É ele próprio que conta: Há algum tempo eu experimentava em meu laboratório um novo aparelho fotográfico, fazendo meu próprio retrato. De súbito senti certa pressão no braço direito e uma lassidão em todo o corpo. Mas quem descreveria o meu espanto quando vi meu retrato reproduzido e encontrei à direita a imagem de uma segunda pessoa, que não era outra senão minha prima morta? A semelhança do retrato, ao que dizem os que conheceram aquela senhora, nada deixa a desejar.
“Segue-se que, desde então, o Sr. Mumler não dá aos clientes apenas sessões espíritas, mas ainda tira fotografias dos defuntos evocados. Elas são geralmente um pouco descoradas e nevoentas e os traços bem difíceis de reconhecer, o que não impede os habitantes de Boston, esclarecidos, de declará-los verdadeiros, autênticos. Quem consideraria tão próximas as imagens espectrais!”
Caso fosse real, semelhante descoberta por certo teria imensas consequências e seria um dos fatos mais notáveis de manifestações. Contudo, aconselhamos acolhêla com prudente reserva. Os americanos que, no dizer do articulista, nos ultra passam em tantas coisas, nos ensinaram que eles também se distanciaram de nós na invenção de patranhas.
Para quem quer que conheça as propriedades do perispírito, à primeira vista a coisa não parece materialmente impossível. Veem-se surgir tantas coisas extraordinárias que de nada nos devemos admirar. Os Espíritos anunciaram manifestações de nova ordem, ainda mais surpreendentes do que as que já vimos. Esta estaria, incontestavelmente, nesse número. Mas, ainda uma vez, até uma constatação mais autêntica que o relato de um jornal, é prudente ficar com a dúvida. Se a coisa for verdadeira, será vulgarizada; enquanto se espera, é preciso evitar acreditar em todas as histórias maravilhosas que os inimigos do Espiritismo se comprazem em espalhar para torná-lo ridículo, bem como os que as aceitam muito facilmente. Além disso, é preciso observar as coisas mais detidamente, antes de atribuir aos Espíritos todos os fenômenos insólitos que não se pode explicar. Um exame atento mostra, na maioria dos casos, uma causa inteiramente material que não tinha sido notada. É uma recomendação expressa que fazemos em O Livro dos Médiuns.
Em apoio ao que acabamos de dizer, e a propósito da fotografia espírita, citaremos o artigo seguinte, tirado do la Patrie de 23 de fevereiro de 1863. Ele ajuda a nos guardarmos contra os julgamentos precipitados.
“Um jovem lord, portador de um dos nomes mais antigos e ilustres da câmara alta, cujo gosto apaixonado pela fotografia proporciona grandes e felizes sucessos a essa arte que talvez seja ainda mais uma ciência que uma arte, um jovem lord, dizia eu, acabara de perder sua irmã que ele amava com extrema ternura. Ferido no coração e lançado em profundo desânimo que muitas vezes a mágoa produz, deixou os seus aparelhos fotográficos, deixou a Inglaterra, fez uma longa viagem pelo continente e só voltou à sua residência quase real de Lancashire depois de uma ausência de quase quatro anos.
“Como sói acontecer, seu desespero havia passado do estado agudo ao crônico, isto é, sem ter perdido a intensidade, havia perdido a violência, que pouco a pouco se transformava em resignação.
“Quando os que sofrem procuram consolo, a princípio se dirigem a Deus, depois ao trabalho. Assim, pouco a pouco o jovem lord tomou o caminho do laboratório e voltou aos seus aparelhos fotográficos.
“Por uma espécie de transação com sua dor, a primeira imagem que pensou em reproduzir foi o interior da capela onde repousavam os restos mortais de sua irmã. Obtido o negativo, entrou no laboratório, submeteu a placa à preparação ordinária e expôs o clichê à luz para ter uma prova.
“Lançando os olhos sobre a prova, quase caiu sem sentidos. O interior da capela tinha vindo com grande nitidez, mas a cabeça da jovem moça defunta aparecia vagamente na parte menos iluminada da fotografia. Distinguiam-se perfeitamente seus traços suaves e belos, e até os longos panejamentos do vestido. Contudo, através desses panejamentos, os menores detalhes da capela apareciam claramente.
“O primeiro movimento do lord foi crer numa aparição. Mas logo sorriu tristemente balançando a cabeça. Com efeito, lembrou-se que alguns anos antes, sobre a mesma chapa, tinha feito uma fotografia da irmã. Não tendo o retrato saído bom, o tinha apagado, provavelmente apagado mal, pois os contornos vagos hoje se confundiam com a nova imagem impressa na chapa.
“Na Inglaterra alguns artistas exploram essa bizarra aplicação da fotografia: fabricam e vendem retratos duplos, cuja montagem produz efeitos estranhos, ou engraçados. Entre outros, mostraram-nos um castelo em ruínas, embaixo do qual transparecia seu parque, suas fachadas e seus torreões, como deveriam ter sido antes de serem destruídos.
“Fazem ainda retratos de velhos, através dos quais se veem seus rostos tais quais eles eram nos mais belos tempos da juventude.”
Variedades
O Akhbar, jornal de Argel, de 10 de fevereiro de 1863, traz o seguinte artigo:
‘‘O Sr. Bispo de Argel acaba de publicar, para a quaresma de 1863, uma instrução pastoral em que trata do Espiritismo, assunto muito na ordem do dia, sobre o qual o clero da África até agora tinha guardado silêncio. Eis as passagens a ele relativas:
“É o demônio que dita a filósofos ilustres essas doutrinas malsãs de dois princípios iguais, o bem e o mal, governando com a mesma autoridade, mas em sentidos opostos: o espírito e a matéria, materialismo que tudo reporta ao corpo e nada reconhece além do túmulo; cepticismo que duvida de tudo; fatalismo, que escusa tudo, negando a liberdade e a responsabilidade humanas; metempsicose, magia e evocação dos Espíritos, tristes e vergonhosos sistemas que inteligências desviadas procuram reviver em nossos dias... (Pág. 21).
“Que história lamentável não se faria dos empreendimentos diabólicos que remontam ao cenáculo, partindo das sinagogas e das palhaçadas de Simão, o Mago, para chegar através das perseguições, dos cismas, das heresias e das incredulidades de toda natureza, ao Espiritismo de nossos dias, tão tolamente renovado de um paganismo anterior a Moisés e por ele justamente condenado como uma abominação perante Deus”. (Pág. 24)
“Os que gostam de ouvir as duas partes, em todo litígio, têm inteira facilidade de fazê-lo, porque o Espiritismo teórico e prático está amplamente explicado em O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns, duas obras que se encontram em todas as livrarias de Argel. Se se quiser mesmo levar seu estudo mais à frente, pode acrescentar-se a essa pequena biblioteca a Revista Espírita, pelo Sr. Allan Kardec. É, ao que nos parece, o melhor meio de verificar se o Espiritismo é, com efeito, obra do demônio, ou se, ao contrário, é uma revelação sob forma nova, como pretendem os seus adeptos.”
ARIEL
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O Sr. Home veio a Paris, onde ficou apenas alguns dias. De vários lugares nos pedem informações sobre extraordinários fenômenos que ele teria produzido perante augustas pessoas, do que alguns jornais falaram vagamente.
Como essas coisas se passaram na intimidade, não nos cabe revelar o que não tem caráter oficial e, menos ainda, envolver certos nomes. Diremos apenas que os detratores exploraram essa circunstância, como tantas outras, para tentar lançar o ridículo sobre o Espiritismo, com histórias absurdas, sem respeito às pessoas nem às coisas.
Acrescentaremos que a passagem do Sr. Home por Paris, bem como a qualidade das casas onde foi recebido, constituem um desmentido formal às infames calúnias, segundo as quais ele teria sido expulso de Paris, como há tempos, durante uma ausência sua, tinham circulado o boato de que ele estava preso em Mazas, por motivos graves, quando estava tranquilamente em Nápoles, cuidando de sua saúde. Calúnia! Sempre a calúnia! Já é tempo de virem os Espíritos expungir delas a Terra.
Remetemos os nossos leitores aos artigos minuciosos, publicados sobre o Sr. Home e suas manifestações, na Revista Espírita, números de fevereiro, março e abril de 1858.
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Um artigo publicado no Monde Illustré sobre os supostos médiuns americanos Sr. e Sra. Girroodd, também motivou muitos pedidos de informações. Nada temos a acrescentar ao que dissemos na Revista Espírita de fevereiro de 1862, senão que vimos pessoalmente, e que se veem com Robert Houdin coisas não menos inexplicáveis, quando não se conhece a meada. Nenhum espírita ou magnetizador, conhecendo as condições normais em que se produzem os fenômenos, pode levar a sério essas coisas, nem perder tempo em discuti-las seriamente.
Certos adversários ineptos quiseram explorar essas habilidades contra os fenômenos espíritas, dizendo que, se podem ser imitados é porque não existem e que todos os médiuns, a começar pelo Sr. Home, são hábeis prestidigitadores.
Eles não observam que dão armas à incredulidade contra si próprios, pois que seria possível usar o argumento contra a maioria dos milagres.
Sem destacar o que há de ilógico nesta conclusão, e sem discutir novamente os fenômenos, diremos que há entre os prestidigitadores e os médiuns a diferença do ganho ao desinteresse, da imitação à realidade, da flor artificial à flor natural. Também não podemos impedir que um escamoteador se diga médium ou físico. Não nos cabe defender nenhuma exploração desse gênero. Deixamo-la à crítica.
Poesias espíritas
Por que lamentar-se? (Grupo espírita de pau - Médium: Sr. T)Nota. Deixamos passar falhas poéticas em favor das idéias.
Mãe e filho (Sociedade espírita de Bordeaux, 6 de julho de 1862 - Médium: Sr. Ricard)
Despertando, as primeiras carícias
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Subscrição ruanesa
Novas contribuições até 28 de fevereiro:
Sociedade Espírita de Paris (total 740 fr. Publicado na lista de fevereiro, 423 fr.) Nesta lista, 317 francos.
Sociedades e grupos espíritas diversos. ─ Montreuil-sur-Mer, 74 fr. (contribuição de fevereiro, mas que por engano não constou na lista); ─ Meschersur-Girond, 32,50 fr.; ─ Carmaux (Tarn), 20 fr.; ─ Monterat et Saint-Gemme (Tarn), 40 fr.; ─ Chauny (Aisne), 40 fr.; ─ Metz, 50 fr.; ─ Bordeaux (sociedade e grupos Roux et Petit), 70 fr.; ─ Albi (Tarn), 20 fr.; ─ Tours, 103,30 fr.; ─ Angoulême, 18 fr. – TOTAL 467,80 francos.
Assinantes diversos:
(Paris) ─ Srs. L…, 5 fr.; Hobach, 40 fr.; Nant et Breul (Passy), 100 fr.; Doit, 1 fr.; Livraria Aumont, (2ª contribuição), 5 fr.; Dufaux, 5 fr.; Mazaroz, 20 fr.; Queyras, 3 fr.; X…, 25 fr.; Doutor Houat, 20 fr.; Dufilleul, oficial de cavalaria, 10 fr.; X… (Saint-Junien), 1 fr.; L. D…, 2 fr.; X…, 5 fr.; Moreau, farmacêutico (Niort), 10 fr.; Blin, capitão (Marselha), 10 fr. (constou na lista de fevereiro por 20 fr., em vez de 10 fr., que foram considerados apenas no montante); J. L… (Digne), 3 fr.; Doutor Reignier (Thionville), 7,50 fr.; Sra. Wilson Klein (Grão-ducado de Bade), 20 fr.; B… (Saint-Jean d'Angely), 2 fr.; A… (Versalhes), 1 fr.; V… (Versalhes), 2 fr.; S… (Dôle), 2 fr.; Martner, oficial do Estado-Maior (Orléans), 10 fr.; Gevers (Antuérpia), 10 fr.; C. Babin (de Champblanc, por Cognac), 40 fr. – TOTAL - 369,50 francos.
Espíritas e franceses de Barcelona (Espanha): ─ Srs. Jaime Ricart e filhos, 52,50 fr.; Micolier, 5 fr.; Luís Nuty, 5 fr.; Jean Regembat, 5 fr.; Alex Wigle, fotógrafo, 5 fr.; Ch. Soujol, 2,60 fr.; X…, 1,25 fr. – TOTAL - 76,35 francos.
(Com o montante de 489,35 francos correspondentes à lista de fevereiro, temos, para Barcelona, um total de 565,70 francos.)
TOTAL GERAL - 2.722,05 francos.
Errata. ─ Na lista de fevereiro, em vez de Lausat (de Condom), leia-se Loubat. ─ Em vez de Frothier (de Poitiers), leia-se Frottier. ─ Em vez de Bodin (de Cognac), leia-se Babin.
A subscrição continua aberta.
Além desta soma, a Revista Espírita contribuiu a 6 de fevereiro, para a subscrição aberta pela Opinion Nationale, com 2.216,40 francos, conforme nota publicada a 15 de fevereiro, por aquele jornal, na lista 14.
Comunicamos que a maioria dos grupos e sociedades contribuíram nas listas abertas em suas localidades. De Lyon nos enviam, entre outras, a seguinte lista de coleta em diferentes reuniões:
Grupo Desprêle, Av. Carlos Magno, 57,95 fr.; id. dos Trabalhadores, 93,30 fr.; id. Viret, 26 fr.; id. da Cruz Vermelha, 3l,10 fr.; id. Rousset, 48,30 fr.; id. Central, 123 fr.; reunião particular, l5,25 fr.; outra, id. 32,50 fr.; outra, id. (Edoux), 22 fr.; subscrições isoladas, 316,50 fr.; - TOTAL - 765,90 francos.
A Sociedade de Saint-Jean d’Angely contribuiu na lista aberta na subprefeitura com l00 francos.
ALLAN KARDEC